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Piercing: complicações da língua ao coração

O uso de piercing na língua já é bastante popular, principalmente entre os jovens que acabam de completar 18 anos e dispensam autorização dos pais para colocar a jóia de aço cirúrgico, ouro ou prata. De acordo com o cirurgião-dentista Marcelo Rezende, diretor da clínica Smiling Dental Care, o acessório não oferece tantos riscos quanto o procedimento. "O piercing oral expõe o jovem a riscos desnecessários. Como a boca é rica em bactérias, há sempre a possibilidade de infecção, chegando inclusive a comprometer a saúde do coração ou ainda progredir para uma septicemia (infecção generalizada)".

 

O especialista diz que as complicações menos graves estão relacionadas ao comprometimento dos movimentos da língua e à perda parcial do paladar, além de deixar a pessoa mais vulnerável à gengivite e ao deslocamento dentário. "A colocação da jóia é rápida, mas o tempo de recuperação pode se estender para mais de um mês. Esse é o período crítico, quando a língua inclusive pode inchar tanto, a ponto de dificultar a respiração do paciente".

 

Hepatite

 

Estudo divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos revela que, dependendo da higienização dos instrumentos, da agulha e até do algodão utilizado, a colocação do piercing também pode transmitir hepatite tipo B e C.

 

"Para quem insiste em seguir essa moda, é melhor escolher um lugar confiável, limpo e bem recomendado. Depois do procedimento, é necessário redobrar os cuidados com a higiene bucal, escovando os dentes sempre após as refeições. Bochechos com bastante água devem ser feitos pelos menos três vezes ao dia, a fim de impedir o acúmulo de bactérias na boca. Soluções bactericidas também podem ser utilizadas, desde que prescritas por um dentista", diz Rezende.

 

Fonte: Yahoo

Obesidade 'nem sempre faz mal à saúde'

Dois estudos publicados nesta segunda-feira pela revista especializada Archives of Internal Medicine afirmam que nem toda obesidade significa problemas de saúde, e que é possível ser obeso e saudável.

 

Segundo um dos estudos, liderado pelo médico Norbert Stefan, da Universidade de Tubingen, na Alemanha, é possível ser obeso mas não apresentar resistência à insulina nem sinais de arterioesclerose precoce - que sinalizariam problemas cardíacos e risco de diabetes do tipo 2.

 

No estudo, Stefan e sua equipe analisaram a gordura de 314 pessoas, divididas em quatro grupos: com peso normal, acima do peso (com índice de massa corporal até 29,9), obesos sensíveis à insulina e obesos resistentes à insulina.

 

Os cientistas mediram a gordura corporal, visceral, (em torno do abdômen) e subcutânea, com exames de ressonância magnética, e ainda mediram os níveis de gordura no fígado e nos músculos.

 

Eles concluíram que, enquanto a gordura abdominal é um forte indicativo de resistência à insulina (um dos sinais de risco da diabetes) nos pacientes de peso normal, ou acima do peso, ela não tem tanta importância para determinar os riscos dos pacientes obesos.

 

Enquanto que os dois grupos de obesos apresentavam semelhantes níveis de gordura abdominal, o grupo resistente à insulina apresentou níveis de gordura muscular e no fígado muito mais altos do que os obesos sensíveis à insulina, que não apresentam maiores riscos de saúde.

 

Saudáveis

 

Os cientistas concluíram ainda que entre os obesos sensíveis à insulina, o nível de sensibilidade era equivalente ao dos pacientes com peso normal. Os dois grupos apresentaram também equivalentes espessuras das paredes de suas artérias, afirmando que existe um fenótipo de obesidade benigna.

 

Stefan afirma que não defende a obesidade, mas sim um exame mais detalhado dos obesos, que meça a gordura no fígado e nos músculos, para identificar os riscos reais.

 

No outro estudo, a equipe liderada pela médica Rachel Wildman, do Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, estudou dados de 5.440 pacientes com fenótipos diferentes para medir até que ponto a gordura é fator determinante de problemas de saúde.

 

O estudo analisou dados coletados entre 1999 e 2004 de pessoas com peso normal, acima do peso e obesas, com e sem anomalias cardio-metabólicas (que incluem pressão alta, nível elevado de triglicerídeos e o chamado "bom colesterol").

 

Os resultados mostraram que 23,5% dos adultos de peso normal apresentavam anomalias, enquanto que 51,3% dos adultos acima do peso e 31,7% dos obesos eram saudáveis "metabolicamente".

 

Entre os fatores associados aos problemas de saúde dos adultos com peso normal, estavam a idade avançada, baixos níveis de atividade física e maior circunferência da cintura. Os pacientes obesos e acima do peso que não apresentavam problemas metabólicos tendiam a ser mais jovens, de etnia negra, mas não hispânica, com altos níveis de atividade física e menor circunferência da cintura.

 

Segundo o estudo, o resultado mostra que há uma proporção considerável de adultos obesos e acima do peso considerados saudáveis, ao mesmo tempo em que uma considerável proporção de adultos de peso normal apresenta problemas de saúde normalmente ligados à obesidade.

 

A cientista afirma que "são necessários novos estudos sobre mecanismos comportamentais, hormonais, bioquímicos e genéticos que estão por trás dessas diferentes respostas metabólicas ao tamanho do corpo", e poderão, no futuro, ajudar na criação de métodos para identificar pacientes em risco.

 

Fonte: Ciência e Saúde

Diabetes: subestimada, sutil e fatal

Em um conjunto de discussões de grupo, foi pedido aos participantes para classificar a gravidade de vários problemas de saúde, incluindo câncer, doenças do coração e diabetes.

 

Em uma escala de 1 a 10, câncer e doenças cardíacas sistematicamente foram classificadas como 9 ou 10. Mas diabetes só ficou em 4 ou 5 na escala.

 

"O consenso geral parece ser: 'existem remédios', 'veja como as pessoas parecem estar bem com diabetes' ou 'nunca ouvi falar de ninguém que morreu de diabetes'", disse Larry Hausner, diretor da Associação Americana de Diabetes, que comandou as discussões de grupo. "Havia pouco conhecimento sobre tudo relacionado à diabetes".

 

Mas a diabetes é tudo menos insignificante. Ela destrói o corpo inteiro, afetando desde a audição e a visão, à função sexual, à saúde mental e o sono. É a principal causa de cegueira, amputações e insuficiência renal, e pode triplicar o risco de ataques cardíacos e derrames.

 

"É uma doença que mata lentamente", disse Dr. John B. Buse, professor da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, presidente da associação de diabetes para a medicina e a ciência. "Ela pode ser terrível - é quase inimaginável o quanto ela pode ser ruim".

 

A diabetes surge quando o corpo não consegue usar o açúcar no sangue como energia, ou porque ele tem muito pouca insulina, ou porque ele não pode usar insulina. A diabetes tipo 2, que corresponde a cerca de 90% dos casos, geralmente se desenvolve mais tarde na vida e está associada à obesidade e à falta de exercício. A diabetes tipo 1, que geralmente é diagnosticada em crianças, ocorre quando o sistema imunológico destrói por engano as células que produzem a insulina.

 

A discrepância entre a percepção e a realidade é particularmente preocupante em uma época em que o número de diabéticos está aumentando. Somente na semana passada, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos anunciou que o número de americanos com diabetes é de cerca de 24 milhões, ou 8% da população. Quase 25% das pessoas com 60 anos ou mais tiveram diabetes em 2007. E o Centro estima que 57 milhões de pessoas têm níveis anormais de açúcar no sangue que representam uma pré-diabetes.

 

Sem dúvida, a diabetes é tratável, e um leque de novos medicamentos e ferramentas de monitoramento melhoraram incrivelmente a qualidade dos cuidados aos pacientes. Mas manter a doença sob controle exige constante vigilância e cuidados dispendiosos, assim como mudanças no estilo de vida, como perder peso, fazer exercícios regularmente e monitorar os carboidratos.

 

Buse afirma que pacientes focados na sua doença e com acesso a assistência médica regular têm uma boa chance de viver uma vida normal sem desenvolver uma deficiência relacionada à diabetes.

 

Mas alguns pacientes afirmam que estão ocupados demais para cuidar melhor de si próprios, e muitos pacientes de baixa renda não conseguem pagar assistência médica regular. Até mesmo pessoas com planos de saúde se esforçam para conseguir pagar sua parte das consultas médicas freqüentes e vários medicamentos.

 

E, para piorar, a diabetes está associada a diversos outros problemas de saúde. Na semana passada, por exemplo, o "The Journal of the American Medical Association" informou que pessoas com depressão têm mais risco de desenvolver diabetes tipo 2, e vice-versa.

 

Isso não é de surpreender: segundo dados publicados ano passado no jornal "Diabetes Care", a depressão tende a interferir nos cuidados do paciente com ele mesmo, o que exige o monitoramento da glicose, medicação, mudanças alimentares e exercícios.

 

Em última análise, a diabetes pode custar caro, da cabeça aos pés. No cérebro, ela aumenta o risco não só de depressão, mas também de problemas do sono e derrames. Ela põe em risco a visão e a saúde dos dentes. Este mês, o "Annals of Internal Medicine" relata que a doença aumenta em mais que o dobro o risco de perda da audição.

 

Espalhando pelo corpo, a diabetes pode levar a doenças do fígado e do rim, assim como sérias complicações gastrointestinais, como paralisia do estômago e perda do controle do intestino. No ano passado, o jornal Diabetes Care relatou que em uma amostra de quase 3.000 pacientes com diabetes, 70% tinham esteatose hepática não relacionada ao álcool.

 

Circulação sangüínea insuficiente e a perda da sensação das extremidades, chamada neuropatia, podem levar a graves úlceras e infecções; nos Estados Unidos acontecem cerca de 86.000 amputações relacionadas à diabetes a cada ano.

 

A diabetes também custa caro para o relacionamento. De acordo com algumas estimativas, de 50 a 80% dos homens com diabetes sofrem de disfunção erétil. Especialistas afirmam que mulheres com diabetes geralmente perdem a libido ou sofrem de secura vaginal.

 

O desafio para os médicos é convencer pacientes que a diabetes é um grande ameaça à saúde. Durante anos, a mensagem da Associação Americana de Diabetes foi a de garantir que a doença é tratável. Agora, a partir de 2009, a associação planeja remodelar a mensagem para comunicar melhor a gravidade da doença.

 

"Nossa estratégia de comunicação será que a diabetes tem conseqüências fatais e que a Associação está aqui para mudar o futuro da diabetes", disse Hausner, antigo diretor da Sociedade de Leucemia e Linfoma, que entrou na associação há 10 meses. "A palavra 'fatal' era potencialmente controversa para a organização. Antes, as pessoas diziam que não queriam assustar ninguém".

 

A nova estratégica não é uma tática de terror, acrescentou. Prevenção e esperança farão parte da mensagem. "Não que a gente não queira que as pessoas tenham esperanças", ele disse. "Mas queremos que as pessoas entendam que isso é serio".

 

Fonte: Ciência e Saúde