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"Cirurgia Plástica é mais um vício dos dias de hoje", alerta Dr. Hollywood

Médico brasileiro queixa-se da mania mundial de corrigir o corpo no bisturi

 

A busca incessante pela beleza pode levar as mulheres para um resultado pouquíssimo atraente, já que os excessos de cirurgias plásticas causam, além do aspecto totalmente artificial, uma série de prejuízos para a saúde. De olho nesses riscos, o programa da Rede TV Dr. Hollywood, chama a atenção para os cuidados necessários na hora de enfrentar o bisturi e também alerta para as dificuldades do pós-operatório, um momento muito delicado.

 

Direto de Los Angeles, o herói da mesa de cirurgias mostrou preocupação com a busca desenfreada pelas plásticas. A cirurgia plástica tem de ser vista como última opção, a mais radical de todas , afirma o médico brasileiro Robert Rey, mais conhecido por Dr. Hollywood. Sem dúvida, ela é uma excelente idéia para pessoas com defeitos sérios no rosto ou corpo ou para levantar a auto-estima de muitas mulheres que não conseguem sucesso com outros métodos menos invasivos, diz o médico.

 

O perigo, segundo ele, é que muita gente acaba viciada nos resultados e abre mão de métodos tão eficazes, só que de resposta mais lenta (caso de uma boa série de exercícios físicos, por exemplo). Todas as cirurgias apresentam riscos, inclusive o de morte. Hemorragia, infecção, danos aos nervos, cicatrizes sérias e dores constantes fazem parte dos acidentes que podem surgir num procedimento como esse, não há como fingir que nada disso acontece.

 

Alguns cuidados, entretanto, ajudam você a avaliar se é hora de buscar ou cirurgião ou se, no seu caso, há maneiras mais simples de corrigir os problemas que andam perturbando as encaradas no espelho.

 

1. Avaliação

 

Em resumo, trata-se de uma boa conversa com um cirurgião plástico. Na consulta, ele vai examinar você, além de fazer uma série de perguntas com o objetivo de entender por que você pretende fazer mudanças no corpo. Por isso, a escolha de um profissional de confiança é tão importante. Na dúvida, busque uma indicação na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (www.cirurgiaplastica.org.br).

 

Na fase pré-operatória, é necessário que o médico esclareça todas as suas dúvidas e ajuste as expectativas em relação á cirurgia. A realização de alguns exames, que mostram se você tem condições de fazer a cirurgia, também é indicada: hemograma completo, dosagem de sódio, potássio, uréia, creatinina e glicose e coagulograma, o Raio-x do tórax e o Eletrocardiograma estão na lista.

 

A avaliação do risco cirúrgico também faz parte desse processo e provavelmente é fase mais importante dos exames pré- operatórios. Essa parte consiste em uma consulta médica com um cardiologista ou clínico geral, onde será feito um eletrocardiograma e um exame clínico para classificar o risco cirúrgico de cada paciente. "Para uma cirurgia plástica, o ideal é o grau 1 que apresenta o menor risco cirúrgico possível. Só se todos os exames estiverem dentro dos padrões, à cirurgia pode ser marcada", afirma o cirurgião plástico Gustavo Merheb, do espaço Merheb.

 

2. Ajuste de expectativas

 

O mais comum entre essas cirurgias é o desejo que as pacientes apresentam em parecer com outras pessoas, chegando a levar imagens das personagens idealizadas. O cirurgião afirma que, quando as pacientes aparecem com esse tipo de pedido, o profissional precisa considerar dois fatores: "Em primeiro lugar, precisamos avaliar o que a paciente acha que é uma forma bonita, o que é grande demais, feio ou bonito, tudo a partir dos exemplos que eles oferecem. Em seguida, precisamos ter uma conversa franca com a paciente, explicando que não há como copiar o nariz ou as mamas de alguém. E mais: precisamos deixar claro que aquelas características ficam bem num certo padrão de estrutura corporal. Nosso papel, portanto, é buscar as medidas ideais em cada caso, sem exageros".

 

3. Efeito preguiça

 

Muitas vezes, as mulheres não se contentam apenas com uma cirurgia ou, empolgadas demais com um bom resultado, passam a sonhar com os próximos procedimentos. Mas tudo isso é muito subjetivo. Uma pessoa que possui um rosto mais alongado e estrutura óssea mais forte terá melhores resultados ao se submeter a um lifting facial do que quem possui outros tipos de rosto, por exemplo. Para lipoaspirações, quanto melhor a qualidade da pele (com poucas estrias e boa capacidade de contração, melhor será o resultado do procedimento. A comparação com uma miga que passou por uma cirurgia semelhante, portanto, nem sempre é indicada como índice de sucesso.

 

Conselhos de especialista

 

Antes de decidir bancar uma cirurgia plástica...

 

1. Procure o nome do seu médico no site da Sociedade Brasileira de cirurgia Plástica, onde deve constar como especialista (membro associado) ou, melhor ainda, membro titular (é uma ascensão na sociedade).

 

2. Certifique-se de que seu médico está credenciado para atender num bom hospital ou numa clinica preparada para lidar com emergências.

 

Fonte: Minha Vida

Cirurgia plástica ainda é a especialidade mais procurada por estrangeiros

O Brasil atrai estrangeiros principalmente nas áreas de cirurgia plástica, dermatologia, cirurgia bariátrica, odontologia, cardiologia e oftalmologia, além de oncologia e reprodução assistida.

 

Famosa em todo o mundo, a cirurgia plástica brasileira é ainda a mais procurada. Na clínica de Ivo Pitanguy, referência mundial na especialidade, cerca de 40% dos pacientes são estrangeiros. "Há 45 anos, meu pai recebe pacientes de todas as partes do mundo", faz questão de ressaltar Gisela Pitanguy, médica-psicoterapeuta e diretora da clínica.

 

Entre os procedimentos mais requisitados estão as cirurgias estéticas da face e as plásticas nos seios e abdome, além da lipoaspiração. A clínica também é muito procurada para cirurgias reparadoras e corretivas.

 

O cirurgião plástico Henrique Siqueira, de São Paulo, é um dos que percebeu o aumento da demanda internacional nos últimos anos. "Há cinco anos, recebia um ou dois estrangeiros por mês. Hoje já são de 20 a 30", calcula.

 

Segundo ele, a combinação de excelência e custos inferiores é o grande chamariz do Brasil. Enquanto nos Estados Unidos uma lipoaspiração custa cerca de US$ 10 mil, por aqui o procedimento é realizado por bons profissionais por até um quarto desse valor. "Essa diferença de preço pode ser revertida para a compra das passagens e outros gastos com lazer no país", lembra.

 

Outro motivo apontado pelos profissionais para a preferência é de ordem técnica. "O cirurgião plástico brasileiro tem um senso estético mais apurado. Ele começa a operar mais cedo e é mais criativo. No exterior, os médicos são muito pragmáticos", avalia o também cirurgião plástico Charles Yamaguchi. Em seu consultório, 5% dos atendimentos são de estrangeiros, em sua maioria mulheres.

 

Em contato com pacientes inseridos em diferentes realidades, os cirurgiões percebem algumas preferências culturais. "A brasileira quer um corpo com mais curvas. Já a européia procura um corpo mais esguio", revela Siqueira. Não à toa, a mulher nacional prefere a lipoescultura, enquanto a européia quase sempre opta pela lipoaspiração.

 

Estética

 

Ainda na linha de intervenções estéticas, a dermatologia aparece como outra especialidade muito demandada. "A procura de pacientes estrangeiros vem crescendo desde 2000", diz Ligia Kogos. Em sua clínica, nos Jardins, em São Paulo, são atendidos até oito desses pacientes por mês, muitos deles comissários de bordo de empresas aéreas européias.

 

"Atendo muitas alemãs, suecas, dinamarquesas, suíças", elenca Kogos. Aplicação de botox e preenchimento são os procedimentos mais comuns, mas muitos pacientes de Portugal e de Angola têm procurado a clínica para tratar doenças, como psoríase.

 

Outra área que arregimenta muitos fãs internacionais é a odontologia. A procura tem crescido tanto que a Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas já conta com um departamento de turismo. "O Brasil alia diversos fatores, como preço e qualidade, além do apelo turístico", avalia Mário Groisman, implantodontista e periodontista que atende no Rio de Janeiro.

 

No Brasil, os preços cobrados são em média de 10 a 15% mais baratos do que no exterior. Entre os procedimentos mais requisitados estão as reconstruções (implantes, próteses e cerâmicas) e o clareamento, que revela muito sobre os diferentes conceitos estéticos. "O paciente americano gosta de dentes extremamente brancos. Já o europeu mais velho gosta de um sorriso mais natural, levemente amarelado", conta Groisman.

 

Mestre pela Universidade de Lund, na Suécia, ele acredita que uma das grandes vitrines dos profissionais brasileiros no exterior são as publicações científicas, aulas e seminários internacionais. Por meio desses canais, os colegas de profissão estrangeiros conhecem o que é feito no Brasil e indicam para seus clientes.

 

Obesidade e reprodução assistida

 

As cirurgias de redução de estômago e os procedimentos de reprodução assistida também aparecem na preferência dos estrangeiros. "Nossas estimativas são de que 5% das cirurgias de redução de estômago realizadas no Brasil sejam em estrangeiros, algo em torno de mil cirurgias ao ano", afirma Luiz Vicente Berti, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

 

Segundo ele, a sociedade é a segunda maior do mundo em número de associados e registra um fluxo crescente de pacientes estrangeiros, em especial dos Estados Unidos e da América do Sul. No Brasil, uma cirurgia bariátrica custa no máximo US$ 20 mil, enquanto nos Estados Unidos o valor chega a ser o dobro. Para o futuro, Berti prevê grande demanda de pessoas interessadas em tratamentos para a diabetes. "O Brasil está muito avançado nas pesquisas nesse campo", enfatiza.

 

Na área de reprodução assistida, a procura é grande tanto para procedimentos medicamentosos, quanto para outros mais invasivos. O fluxo de pacientes começou há cerca de dez anos, quando se firmaram as técnicas e a capacidade de divulgação dos especialistas brasileiros por meio de publicações científicas. E a perspectiva é de que esse fluxo só aumente. "Cada vez mais a tendência é de postergar a maternidade", lembra Eduardo Pandolfi Passos, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida.

 

"Nossa qualidade técnica é ótima. Em nada deixa a desejar aos países desenvolvidos, mas com a vantagem de ser muito mais barata", avalia Paulo Franco Taitson, doutor em reprodução humana. Segundo ele, a estimulação ovariana e a fertilização in vitro custam no Brasil, em média, um terço dos valores praticados nos Estados Unidos, país de origem da maior parte dos pacientes estrangeiros.

 

"Na América Latina, as legislações não são tão restritivas e as técnicas, bastante uniformes", explica. Já alguns países europeus exportam pacientes por limitações legais, como a Itália, onde é proibido o congelamento de embriões.

 

Fonte: Ciência e Saúde