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Condições de vida influenciam vício em cocaína, aponta estudo

As condições de vida têm papel importante no tratamento do vício em cocaína e na prevenção de recaídas. O resultado é de uma pesquisa de cientistas franceses divulgada pela Academia de Ciências dos Estados Unidos e pelo Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França.

 

Cientistas do Instituto de Fisiologia e Biologia Celular da Universidade de Poitiers demonstraram, em ratos, que "condições de ambiente positivas e estimulantes facilitam a luta contra a dependência em cocaína", informam os institutos.

 

Marcello Solinas, Mohamed Jaber e sua equipe deixaram ratos viciados em cocaína, colocando-os no que chamaram de "um ambiente enriquecido": gaiolas amplas com um pequeno abrigo, rodas para correr, túneis e outros brinquedos "mudados uma vez por semana" com o objetivo de estimular sua curiosidade e sua atividade social e física.

 

Os pesquisadores perceberam que os ratos não apresentavam comportamentos ligados à dependência, como por exemplo, a escolha de "um lugar preferido" para procurar a droga.

 

"Um mês de exposição a um ambiente enriquecido acaba completamente com os comportamentos característicos da dependência", segundo os cientistas.

 

A mudança foi explicada pela "redução da ativação induzida pela cocaína de um conjunto de estruturas cerebrais envolvidas na transmissão dopaminérgica, que tem papel conhecido na recaída".

 

Esses resultados, "de alcance médico e social" sugerem que "as condições de vida das pessoas dependentes devem ser levadas em consideração como parte da terapia", e que "um enorme esforço" deve ser feito para garantir melhores condições no processo de recuperação, assim como estímulos sociais, físicos e intelectuais.

 

"Se as condições que rodeiam essas pessoas são pobres, se libertar do vício pode ser um trabalho extremamente difícil", destacaram os pesquisadores, estimando inclusive que um ambiente "enriquecido" pode ser considerado "preventivo".

 

Fonte: Folha Online

Estudo liga mutação genética a vício pelo cigarro

Uma pesquisa conduzida por cientistas americanos sugere que mutações genéticas podem estar por trás do vício pelo cigarro.

 

A equipe, da Universidade de Utah, investigou mutações genéticas em um gene que determina a estrutura do "receptor da nicotina no cérebro", uma proteína que interage com a substância e determina o nível de dependência por ela.

 

Os especialistas analisaram amostras de DNA de 2.827 fumantes e avaliaram o nível de dependência em nicotina, além de informações como a idade em que eles haviam começado a fumar, há quanto tempo fumavam e o número de cigarros fumados por dia.

 

Eles verificaram que os fumantes que haviam começado a fumar antes dos 17 anos e tinham uma cópia duplicada do gene que interage com a nicotina tinham até cinco vezes mais chances de ficarem viciados em cigarro durante a vida adulta.

 

Já para os que começavam a fumar com 17 anos ou mais, a chance de dependência era bem menor. Ainda segundo os especialistas, outras variações encontradas no mesmo gene poderiam funcionar de maneira oposta, evitando a dependência pelo tabaco.

 

Prevenção

 

Os especialistas afirmam que seria importante identificar adolescentes com mutações genéticas que podem levar à dependência pelo cigarro como forma de tentar reduzir os índices de tabagismo.

 

"Nós sabemos que pessoas que começam a fumar quando jovens têm mais chances de sofrer séria dependência pela nicotina na vida adulta", afirmou o coordenador da pesquisa, Robert Weiss.

 

"A identificação de indivíduos com tais variações genéticas poderia beneficiá-los com intervenções como campanhas educativas para adolescentes. Em última análise, ações como essa poderiam resultar na redução do tabagismo."

 

Fonte: Folha Online