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Novo exame reduz risco de infecção em transfusão de sangue

O Ministério da Saúde pretende levar para a rede pública em janeiro de 2010 um exame de sangue, com tecnologia nacional, que reduz o tempo em que os vírus da Aids e da hepatite C ficam no organismo sem serem detectados pelos exames convencionais.

 

Com a medida, o governo busca tornar as transfusões de sangue realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) mais seguras. São coletados pouco mais de 4 milhões de bolsas de sangue por ano no país, sendo 3,5 milhões no serviço público.

 

O período em que um vírus não aparece nos testes é conhecido como janela imunológica. Pelos exames usados hoje no SUS, o HIV só é detectado 21 dias após a pessoa ter sido infectada. Com o novo teste, a janela cairá para oito dias.

 

Assim, o risco de se coletar sangue contaminado com HIV passará de 1 bolsa em 250 mil para 1 bolsa em 3 milhões.

 

No caso do vírus da hepatite C, a janela imunológica passará de 72 dias para 14.

 

O exame que o governo vai adotar foi desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz e é conhecido pela sigla NAT (teste de ácido nucleico, em inglês). Enquanto o teste usado hoje no SUS, o Elisa, detecta os anticorpos produzidos pelo organismo na tentativa de destruir o vírus, o NAT identifica o material genético do próprio vírus.

 

A janela imunológica do Elisa é maior porque o organismo da pessoa infectada leva algum tempo para produzir os anticorpos. O NAT não depende da resposta imunológica.

 

Essa tecnologia foi aprovada para uso na rede de saúde dos EUA em 2002. No Brasil, apenas os hospitais privados de ponta de São Paulo, Rio e Brasília utilizam o NAT.

 

A Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia diz que o governo demorou demais para adotar a tecnologia. "O governo nunca quis pagar os preços do mercado. Já estamos há seis anos atrasados", afirma Dante Langhi, um dos diretores da entidade.

 

Para o Ministério da Saúde, a espera valeu a pena. "O novo produto leva vantagem sobre os NATs disponíveis no mercado internacional. A janela imunológica é menor, e o preço é 80% mais baixo. Além disso, ficamos livres de interesses comerciais", diz Alberto Beltrame, diretor do Departamento de Atenção Especializada.

 

O projeto foi encomendado pelo Ministério da Saúde à Fiocruz em 2004. Também participam dos trabalhos a Universidade Federal do Rio de Janeiro e o Instituto de Biologia Molecular do Paraná. Em fevereiro de 2009, os testes começarão a ser usados experimentalmente em alguns Estados.

 

Fonte: Folha

Cientistas criam teste menos invasivo que detecta Síndrome de Down no pré-natal

Cientistas afirmam ter desenvolvido um exame pré-natal que detecta a Síndrome de Down bem mais seguro e menos invasivo do que os testes habituais.

 

O teste mais convencional em uso, o da amniocentese, que consiste no uso de uma agulha para retirar líquido do útero, pode causar abortos e danos ao feto.

 

Com o novo teste, cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, conseguiram identificar, com sucesso, vários casos de síndrome de Down, segundo um estudo publicado na revista científica "Proceedings of the National Academy of Sciences".

 

O teste consiste em uma análise genética de uma amostra do sangue da mãe. Ele pode detectar a presença de cópias extras do cromossomo 21.

 

A Síndrome de Down é causada quando a pessoa possui uma cópia extra do cromossomo - condição genética conhecida como trissomia do 21.

 

De acordo com os cientistas, se um feto possui três cópias do cromossomo, ao invés de apenas as duas normais, haverá também um aumento na quantidade de cromossomos 21 no sangue da mãe, já que o DNA consegue atravessar a placenta do bebê para o corpo da mãe.

 

Segundo a pesquisa, o exame de sangue desenvolvido em Stanford é capaz de identificar e contar os fragmentos de DNA e é sensível o bastante para detectar até um pequeno aumento no número de cromossomos 21.

 

Pesquisa

 

Para realizar o estudo, os cientistas testaram o exame em 18 mulheres grávidas e identificaram com sucesso nove casos de Síndrome de Down entre as participantes e dois casos de outras anomalias genéticas conhecidas como aneuploidias, definidas por uma perda ou ganho de material genético.

 

Stephen Quake, que coordenou o estudo, afirma que será necessário repetir os exames em um número maior de mulheres.

 

Ele explica que está confiante de que o novo exame de sangue poderá ser usado de forma rotineira em hospitais dentro de alguns anos.

 

Um dos modos mais comuns para diagnosticar se um bebê possui ou não a Síndrome de Down é a amniocentese, um método invasivo que consiste em introduzir uma agulha no útero para retirada de um líquido para análise genética.

 

Segundo informações do Royal College de Obstetras e Ginecologistas do Reino Unido, cerca de uma em cada 100 mulheres que realiza o teste acaba perdendo o bebê como resultado da prática invasiva.

 

Quake esclarece que "o exame não-invasivo será muito mais seguro que as práticas atuais".

 

Para Lyn Chitty, especialista em genética e medicina fetal da University College, em Londres, o exame é um "desenvolvimento interessante para a prática de métodos menos invasivos e mais seguros para detectar a Síndrome de Down".

 

Segundo ela, outros cientistas estão estudando marcas genéticas diferentes no sangue para detectar a Síndrome. No entanto, Chitty esclarece que esses testes, ao contrário do teste de DNA, não funcionam em todas as mulheres.

 

Carol Boys, diretora da Associação da Síndrome de Down, disse que não há dúvidas que métodos não-invasivos serão introduzidos nos próximos anos.

 

"É muito importante que os pais tenham informações precisas sobre a Síndrome antes que tomem a decisão de interromper ou não a gravidez", disse.

 

"Não consideramos a Síndrome de Down como uma razão para se terminar a gravidez, mas reconhecemos que criar uma criança com a Síndrome não é certo para todas as pessoas", afirmou.

 

"Quanto mais informados os pais estão, melhor posicionados eles estarão para tomar a decisão correta para sua família", conclui Boys.

 

Fonte: Ciência e Saúde

Exame pode detectar câncer em estágio inicial

A tomografia computadorizada expõe o relevo do corpo e permite aos médicos concluir pela existência ou não de doenças com base na análise da anatomia: uma massa irregular pode indicar um tumor cancerígeno, por exemplo. Já a tomografia por emissão de pósitrons detecta doenças com base no metabolismo do corpo e por isso consegue identificá-las em um estágio mais prematuro.

 

Um tumor cancerígeno ativo, por exemplo, absorve muita glicose. Antes de submeter-se a essa tomografia, o paciente recebe uma injeção de fluordesoxiglicose, uma glicose radioativa. O exame, feito uma hora depois, mede a absorção dessa substância pelo organismo. Se alguma área que, em situação saudável não costuma consumir muita glicose passa a absorvê-la exageradamente, é sinal de doença.

 

"Hoje em dia esse exame é considerado básico para detectar e tratar câncer", diz o médico José Soares Júnior, chefe do serviço de medicina nuclear do InCor (Instituto do Coração), do Hospital das Clínicas, e presidente da Sociedade Brasileira de Biologia, Medicina Nuclear e Imagem Molecular. A tomografia por emissão de pósitrons é usada principalmente para detectar e avaliar a evolução do câncer ela consegue detectar tumores a partir de 4 milímetros, tamanho em que outros exames não identificam.

 

Mas também é capaz de detectar outras doenças, sempre com base no consumo de glicose. O cérebro é um exemplo. Saudável, ele consome muita glicose. Se o exame indica pequena absorção, é sinal de doença Alzheimer, provavelmente, o que poderá ser confirmado por outros testes.

 

O miocárdio, músculo situado no coração, também consome muita glicose em situação normal. A tomografia por emissão de pósitrons costuma ser feita, nesses casos, após um infarto. Se indicar pouca absorção de glicose, é sinal de que o miocárdio não está mais funcionando e qualquer intervenção para reativá-lo será inútil. Mas, se houver consumo de glicose, valerá submeter o paciente a uma cirurgia para tentar fazer com que o músculo funcione.

 

Preço

 

O exame é caro, custa cerca de R$ 3.500 e mesmo os convênios de saúde muitas vezes não cobrem seu custo. Devido ao preço e a uma questão burocrática, mesmo com tantos benefícios, até há pouco tempo o exame não era realizado no Brasil.

 

Quem precisava dele viajava para os Estados Unidos ou a Europa desde que tivesse dinheiro para isso. A primeira máquina capaz de realizá-lo chegou ao InCor em 2003, mas até hoje o SUS (Sistema Único de Saúde) não paga pelo exame na rede pública.

 

A questão burocrática se refere à produção da glicose usada no exame. Como é um material radioativo, até 2006 sua manipulação era exclusividade estatal. Naquele ano foi permitido que empresas particulares também o produzissem, mas até hoje só há uma fábrica, em São Paulo. Como a substância tem vida útil de menos de duas horas, é praticamente impossível transportá-la a tempo para outros Estados.

 

Fonte: Folha Online

Exame médico para motoristas fica mais rígido

Os 8 mil médicos responsáveis pelos exames de motoristas no País devem tornar mais rígidas as avaliações para quem vai tirar ou renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). As mudanças serão detalhadas em um seminário que a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) promove na capital paulista, no sábado, e tomam por base uma portaria do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). O objetivo das mudanças é atacar as causas dos acidentes provocados por doenças ou problemas físicos dos motoristas, como hipertensão e deficiências cardíacas, sono em excesso e dificuldades auditivas - condutores profissionais, por exemplo, terão de passar agora por avaliações específicas. De 1 milhão de acidentes que ocorrem por ano no Brasil, de 60 mil a 80 mil têm alguma causa física do motorista, segundo estimativa da Abramet.

 

Pela Resolução 267 do Denatran, que revisa determinações feitas há dez anos (mas que nunca foram discriminadas em detalhes como agora), os condutores ou candidatos a tirar a CNH de todas as categorias terão de passar por avaliações cardiológicas, auditivas, neurológicas e oftalmológicas. Também é obrigatório preencher um questionário com dez perguntas - incluindo se a pessoa faz uso excessivo de álcool, drogas, se já sofreu acidentes, se tem diabetes, toma remédios ou faz tratamento de saúde. Respostas falsas, se comprovadas pelo envolvimento posterior do motorista em um acidente por uso de drogas, por exemplo, implicarão responsabilidade criminal, conforme prevê o Código Penal.

 

Dependendo da avaliação, um condutor pode ser considerado apto, apto com restrições (nesse caso, pode ser obrigado a passar até por avaliações anuais para renovação da CNH), inapto temporário (por causa de pressão alta, por exemplo) ou inapto. Uma das inovações que será posta em prática, segundo o presidente da Abramet, Flávio Emir Adura, é uma prova de capacidade auditiva. O examinador deverá pronunciar palavras a 2 metros de distância, sem que o candidato o veja, e este deve repeti-las. "Se houver dificuldade, o motorista terá de fazer um teste audiométrico", disse o especialista.

 

Segundo Adura, a avaliação cardiorrespiratória vai envolver a medição da pressão arterial e análise do coração e pulmões para a detecção de risco de enfarte, arritmia e insuficiência cardíacas. Diante de qualquer suspeita, o perito poderá solicitar exames do candidato ou então conceder a CNH com um prazo de validade menor - por exemplo, um ou dois anos. "Outra novidade foi o estabelecimento dos níveis de pressão arterial máximos para a habilitação", afirmou Adura. "Motoristas com pressão acima de 18 por 11 serão considerados temporariamente inaptos."

 

Mudaram também os índices mínimos de acuidade visual e campo de visão necessários - nesse caso, para menos. Para a categoria B (carro), por exemplo, anteriormente era exigida acuidade mínima de 66% em cada olho. Esse índice baixou para 50%. Na parte dos exames neurológicos - já existentes -, que avaliam mobilidade, coordenação motora, força e sensibilidade, há também uma inovação: epiléticos poderão tirar a carteira. Para isso será feita uma avaliação específica.

 

Fonte: Detran