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População desconhece doença do coração como principal causa de morte, mostra pesquisa

Pesquisa realizada pela Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) mostra que os paulistas desconhecem que os problemas cardiovasculares são as principais causas de mortes no Estado. De acordo com a organização, o infarto é a principal causa de morte em São Paulo, seguida de derrames, câncer e causas externas como as relacionadas à violência e ao trânsito, por exemplo. A população demonstrou desconhecer os dados e apontou a violência como a principal causa de morte no Estado.

 

Durante dois dias no mês de junho, 2.096 pessoas, entre 14 e 70 anos, foram entrevistadas em 85 cidades do Estado. O objetivo da pesquisa, realizada pelo Datafolha, foi documentar o grau de conscientização da população sobre os fatores de risco de doenças do coração.

 

"Apesar de ser a principal causa [doenças cardiovasculares], a população não percebe. O Estado tem maior nível de educação [do país], mesmo assim a população desconhece", afirmou o diretor da divisão de pesquisas da Socesp, Álvaro Avezum.

 

Foram apresentados para os entrevistados dois tipos de questionamentos. Um em que questionava, no geral, a principal causa de morte, e outra que perguntava quais os fatores de risco que se associam a doenças cardiovasculares. O que mais foi citado, segundo Avezum, foi o tabagismo --32%. "Isso significa que 68% da nossa população no Estado não identifica o cigarro como fator de risco cardiovascular. É muito pobre o conhecimento, bem abaixo do que gostaríamos que a população tivesse", afirmou o médico.

 

Pesquisas realizadas na América Latina apontam que os fatores de risco que mais levam aos problemas no coração são, em primeiro a obesidade abdominal, seguida de tabagismo e alterações do colesterol.

 

De acordo com a pesquisa, a população praticamente ignora os principais contribuintes das doenças cardiovasculares. Depois dos 32% que disseram acreditar que o cigarro é o que mais mata aparecem 18% que apontaram como maior causa da pressão alta, 17% citaram o alcoolismo, 16% sedentarismo e somente 15% apontaram o colesterol como principal fator.

 

"O grau de conscientização sobre os fatores é inferior a 30%. Significa que 70% da população do Estado não reconhece os fatores de risco associados a infartos, derrames, que são responsáveis por mortes no Estado", disse Avezum.

 

Segundo o médico, a Socesp não imaginava que detectaria níveis tão baixos de conhecimento sobre problemas do coração. Para a organização, a falta de campanhas adequadas sobre os riscos de doenças cardíacas e a maior divulgação de casos de violência.

 

"Para mudar (de hábitos), a população tem de conhecer. Quem desconhece, não vai buscar prevenção", afirmou o médico.

 

Mortes

 

Por ano, no Brasil, cerca de 300 mil pessoas sofrem infarto, segundo Avezum. Um quarto desse volume é do Estado de São Paulo. A cada dez pessoas que infartam, três morrem em casa ou a caminho do hospital. Dos sete que chegam ao hospital, um morre. Dos seis que recebem alta hospitalar, um morre em um ano. "Ou seja, é uma doença que mata metade de suas vítimas", explica o médico.

 

De acordo com Avezum, se houver a prevenção da obesidade, evita-se 46% dos casos de infarto, ou seja, cerca de 140 mil casos a menos por ano. Se proibir o tabagismo no país diminuiria 38% no número de infartos. "Evitando isso diminui o número de cirurgias, angioplastias, etc. O impacto é brutal", afirmou Avezum. Seis fatores que aumentam os riscos de doenças cardiovasculares e dois que diminuem são aceitos em todo mundo, segundo o médico.

 

Os elementos que contribuem para os riscos, na ordem, são a alteração do colesterol LDL alto, chamado de colesterol ruim, e o HDL baixo, chamado de colesterol bom, cigarro, diabetes, pressão alta, obesidade abdominal e estresse e/ou depressão. Os fatores protetores são a atividade física regular, no mínimo três vezes por semana durante uma hora, e o segundo ponto é comer verduras e legumes diariamente.

 

Fonte: Folha Online

Cirurgia plástica ainda é a especialidade mais procurada por estrangeiros

O Brasil atrai estrangeiros principalmente nas áreas de cirurgia plástica, dermatologia, cirurgia bariátrica, odontologia, cardiologia e oftalmologia, além de oncologia e reprodução assistida.

 

Famosa em todo o mundo, a cirurgia plástica brasileira é ainda a mais procurada. Na clínica de Ivo Pitanguy, referência mundial na especialidade, cerca de 40% dos pacientes são estrangeiros. "Há 45 anos, meu pai recebe pacientes de todas as partes do mundo", faz questão de ressaltar Gisela Pitanguy, médica-psicoterapeuta e diretora da clínica.

 

Entre os procedimentos mais requisitados estão as cirurgias estéticas da face e as plásticas nos seios e abdome, além da lipoaspiração. A clínica também é muito procurada para cirurgias reparadoras e corretivas.

 

O cirurgião plástico Henrique Siqueira, de São Paulo, é um dos que percebeu o aumento da demanda internacional nos últimos anos. "Há cinco anos, recebia um ou dois estrangeiros por mês. Hoje já são de 20 a 30", calcula.

 

Segundo ele, a combinação de excelência e custos inferiores é o grande chamariz do Brasil. Enquanto nos Estados Unidos uma lipoaspiração custa cerca de US$ 10 mil, por aqui o procedimento é realizado por bons profissionais por até um quarto desse valor. "Essa diferença de preço pode ser revertida para a compra das passagens e outros gastos com lazer no país", lembra.

 

Outro motivo apontado pelos profissionais para a preferência é de ordem técnica. "O cirurgião plástico brasileiro tem um senso estético mais apurado. Ele começa a operar mais cedo e é mais criativo. No exterior, os médicos são muito pragmáticos", avalia o também cirurgião plástico Charles Yamaguchi. Em seu consultório, 5% dos atendimentos são de estrangeiros, em sua maioria mulheres.

 

Em contato com pacientes inseridos em diferentes realidades, os cirurgiões percebem algumas preferências culturais. "A brasileira quer um corpo com mais curvas. Já a européia procura um corpo mais esguio", revela Siqueira. Não à toa, a mulher nacional prefere a lipoescultura, enquanto a européia quase sempre opta pela lipoaspiração.

 

Estética

 

Ainda na linha de intervenções estéticas, a dermatologia aparece como outra especialidade muito demandada. "A procura de pacientes estrangeiros vem crescendo desde 2000", diz Ligia Kogos. Em sua clínica, nos Jardins, em São Paulo, são atendidos até oito desses pacientes por mês, muitos deles comissários de bordo de empresas aéreas européias.

 

"Atendo muitas alemãs, suecas, dinamarquesas, suíças", elenca Kogos. Aplicação de botox e preenchimento são os procedimentos mais comuns, mas muitos pacientes de Portugal e de Angola têm procurado a clínica para tratar doenças, como psoríase.

 

Outra área que arregimenta muitos fãs internacionais é a odontologia. A procura tem crescido tanto que a Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas já conta com um departamento de turismo. "O Brasil alia diversos fatores, como preço e qualidade, além do apelo turístico", avalia Mário Groisman, implantodontista e periodontista que atende no Rio de Janeiro.

 

No Brasil, os preços cobrados são em média de 10 a 15% mais baratos do que no exterior. Entre os procedimentos mais requisitados estão as reconstruções (implantes, próteses e cerâmicas) e o clareamento, que revela muito sobre os diferentes conceitos estéticos. "O paciente americano gosta de dentes extremamente brancos. Já o europeu mais velho gosta de um sorriso mais natural, levemente amarelado", conta Groisman.

 

Mestre pela Universidade de Lund, na Suécia, ele acredita que uma das grandes vitrines dos profissionais brasileiros no exterior são as publicações científicas, aulas e seminários internacionais. Por meio desses canais, os colegas de profissão estrangeiros conhecem o que é feito no Brasil e indicam para seus clientes.

 

Obesidade e reprodução assistida

 

As cirurgias de redução de estômago e os procedimentos de reprodução assistida também aparecem na preferência dos estrangeiros. "Nossas estimativas são de que 5% das cirurgias de redução de estômago realizadas no Brasil sejam em estrangeiros, algo em torno de mil cirurgias ao ano", afirma Luiz Vicente Berti, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

 

Segundo ele, a sociedade é a segunda maior do mundo em número de associados e registra um fluxo crescente de pacientes estrangeiros, em especial dos Estados Unidos e da América do Sul. No Brasil, uma cirurgia bariátrica custa no máximo US$ 20 mil, enquanto nos Estados Unidos o valor chega a ser o dobro. Para o futuro, Berti prevê grande demanda de pessoas interessadas em tratamentos para a diabetes. "O Brasil está muito avançado nas pesquisas nesse campo", enfatiza.

 

Na área de reprodução assistida, a procura é grande tanto para procedimentos medicamentosos, quanto para outros mais invasivos. O fluxo de pacientes começou há cerca de dez anos, quando se firmaram as técnicas e a capacidade de divulgação dos especialistas brasileiros por meio de publicações científicas. E a perspectiva é de que esse fluxo só aumente. "Cada vez mais a tendência é de postergar a maternidade", lembra Eduardo Pandolfi Passos, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida.

 

"Nossa qualidade técnica é ótima. Em nada deixa a desejar aos países desenvolvidos, mas com a vantagem de ser muito mais barata", avalia Paulo Franco Taitson, doutor em reprodução humana. Segundo ele, a estimulação ovariana e a fertilização in vitro custam no Brasil, em média, um terço dos valores praticados nos Estados Unidos, país de origem da maior parte dos pacientes estrangeiros.

 

"Na América Latina, as legislações não são tão restritivas e as técnicas, bastante uniformes", explica. Já alguns países europeus exportam pacientes por limitações legais, como a Itália, onde é proibido o congelamento de embriões.

 

Fonte: Ciência e Saúde

Pacientes estrangeiros ampliam receita de hospitais no Brasil

Além das clínicas e consultórios, muitos hospitais também verificam um crescimento no atendimento a estrangeiros. Um exemplo é o Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, que até maio registrou um aumento de 83% nas internações desses pacientes em relação a 2007.

 

Atento a essa demanda internacional crescente, o hospital pretende estruturar nos próximos meses uma área para garantir o suporte a esses pacientes. "Grande parte do mérito por esse crescimento é dos nossos profissionais, que têm buscado manter um bom relacionamento com entidades médicas internacionais e governos de diversos países", aponta André Luís da Silva, gerente executivo comercial do hospital.

 

Segundo ele, os angolanos são hoje os mais numerosos, respondendo por cerca de metade dos atendimentos a estrangeiros. Muitos deles recebem apoio de seu governo para se tratar no Brasil, o que ocorre também com parte dos pacientes cubanos que o hospital recebe.

 

Assim como o HCor, o Hospital Sírio-Libanês, também em São Paulo, integrou o Consórcio Saúde Brasil, criado em 2006 para divulgar a expertise médica brasileira no exterior. O consórcio, que contou ainda com os hospitais Samaritano (São Paulo), Moinhos de Vento (Rio Grande do Sul), e Brasília (Distrito Federal), terminou no final do ano passado, mas os frutos do trabalho realizado continuam sendo colhidos.

 

A receita do Sírio-Libanês com estrangeiros cresceu nada menos que 168% nos primeiros meses de 2008 em relação ao mesmo período do ano anterior.

 

Em 2007, esse grupo de pacientes foi responsável por 5% do faturamento do hospital, porcentagem expressiva se comparada aos 0,5% registrados em 2006. Oncologia e cardiologia são as especialidades mais procuradas e, entre as nacionalidades, o destaque fica para os norte-americanos, angolanos, paraguaios e franceses.

 

No início de 2007, o hospital criou um setor de relações internacionais que firmou contratos com mais de 30 seguradoras internacionais. O suporte logístico ao paciente também passou a ser contemplado. A divisão assistencial fornece auxílio para a organização da viagem, com sugestões de acomodação, agendamento de traslado e indicação de passeios para os acompanhantes.

 

A divisão também é responsável por viabilizar a comunicação entre o paciente/acompanhante e o hospital. "Já investimos mais de R$ 1,6 milhão em cursos de inglês para os funcionários e placas de sinalização no idioma, entre outras ações", contabiliza Deise de Almeida, superintendente de negócios corporativos e marketing do hospital.

 

Laboratórios e clínicas também passaram a contratar pessoal mais qualificado. A de Ivo Pitanguy, por exemplo, tem secretárias trilíngües.

 

Saúde pública

 

Ainda que em menor escala, o fluxo de estrangeiros pode ser constatado também no sistema público de saúde. É o caso de pacientes com Aids, que vêm em busca de atendimento gratuito e de boa qualidade. "Muitas pessoas, diante da possibilidade de mudar para outros países, optam por ficar no Brasil ou retornam rapidamente ao país por conta do tratamento que têm disponível aqui", diz Eliana Gutierrez, diretora da Casa da Aids do Hospital das Clínicas de São Paulo.

 

No Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids, também em São Paulo, a situação não é muito diferente. Assim como o público nacional, os estrangeiros se beneficiam de acompanhamento médico e acesso gratuito ao coquetel anti-Aids.

 

Entre 1985 e 2005, 658 estrangeiros foram atendidos no centro. Em 2006 e 2007, foram 37 ao ano. Angolanos e bolivianos, seguidos de argentinos e portugueses, aparecem no topo da lista no último biênio.

 

Fonte: Ciência e Saúde